Cartão Flashcard • #169590 • Morfologia | olhonavaga






Morfologia  |  Português



Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

 

“Duas Vidas”, novela de Janete Clair.

 

Em 1976, estreava “Duas Vidas”, drama televisivo exibido pela Rede Globo no horário das vinte horas. A autora, Janete Clair, já era uma grande dama da teledramaturgia brasileira.

 

O enredo mostrava uma rua do bairro do Catete, no Rio de Janeiro, sendo desapropriada para a construção de uma linha do metrô. A partir daí, a novela acompanhava a história dos moradores, o recomeço de suas vidas alteradas pelo progresso da cidade, suas relações familiares e amorosas. A heroína da história, Leda Maria, era a mãe de um menino de uns oito anos que havia sido abandonada por um marido inescrupuloso. Ao reconstruir sua vida, a heroína envolve-se, simultaneamente, com o médico que atendia moradores da rua e com um jovem aspirante a cantor, paixão de adolescência de Leda.

 

Por conta desse enredo e de seus desdobramentos, Janete Clair travou uma dura luta com a Censura. Chegou a escrever uma carta para a Divisão de Censura e Diversões Públicas do Departamento de Polícia Federal:

 

“Quem escreve é uma escritora perplexa e desorientada em face dos cortes que vêm sendo feitos pela Censura Federal nos últimos capítulos da novela “Duas Vidas”. Perplexa e desorientada não apenas pela drástica mutilação da obra que venho realizando, como também diante do incompreensível critério que orienta a ação dos censores. De fato, não posso entender que conceitos morais ou de qualquer natureza possam determinar a proibição de um romance de amor entre um jovem e uma mulher madura, ambos solteiros. Não posso entender, igualmente, o porquê da proibição de outra cena em que o dono de uma casa de móveis reclama contra a poeira produzida pelas obras do metrô, que lhe emporcalha os móveis e afugenta a freguesia, quando todos nós sabemos dos transtornos ocasionados por essa obra pública.”

 

O esforço da autora, no entanto, não surtiu efeito. Afinal, criticar instituições governamentais e enaltecer relações amorosas de uma mãe de família separada destoavam dos padrões da Ditadura Militar vigente à época. Ainda assim, mesmo com os cortes feitos à história, a autora encontrou meios de continuar.

 

Como se não bastasse, Janete também padeceu com a crítica televisiva, que foi impiedosa. Apesar de tudo, a novela conseguiu alcançar sucesso de público e registrou enorme índice de audiência em seu último capítulo. A autora creditou o êxito final à fidelidade do público feminino a suas histórias.

 

Adaptado de: Nostalgia: momentos inesquecíveis da história

da TV. Por Paulo Senna em 18/10/2010. Disponível em:

http://oglobo.globo.com/cultura/kogut/nostalgia/

 

 

No trecho a poeira produzida pelas obras do metrô, que lhe emporcalha os móveis e afugenta a freguesia, as palavras que e lhe são, respectivamente,


  • A
  • conjunção e pronome possessivo.

  • B
  • pronome relativo e pronome pessoal.

  • C
  • conjunção e pronome indefinido.

  • D
  • pronome indefinido e conjunção.

  • E
  • preposição e pronome pessoal.

Gabarito: Letra B

 

Quando “que” tiver antecedente e valor de “o qual, a qual, os quais, as quais”, temos pronome relativo.

Observe que, no caso, “que” tem antecedente (a poeira) e valor de “a qual”.

 

Já “lhe” é pronome pessoal do caso oblíquo. Façamos breve revisão.

 

Na língua portuguesa, temos:

– os pronomes pessoais:

Pessoas verbais                  Pronomes do caso reto     Pronomes do caso oblíquo

1ª pessoa singular             eu                                         me, mim, comigo

2ª pessoa singular             tu, você                                te, ti, contigo

3ª pessoa singular             ele, ela                                 o, a, lhe, se, si, consigo

1ª pessoa plural                 nós                                       nos, conosco

2ª pessoa plural                 vós, vocês                           vos, convosco

3ª pessoa plural                 eles, elas                             os, as, lhes, se, si, consigo

 

Dessa forma, podemos afirmar que as palavras “que” e “lhe” são, respectivamente, b)  pronome relativo e pronome pessoal.

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