1 A imagem representa nobres em uma cerimônia de vassalagem. Há três personagens na imagem: o rei Arthur e os nobres Ban e Bohort. Os três têm o mesmo tamanho e usam vestes e coroas parecidas com as do rei Arthur, indicando igualdade de posições. No entanto, o rei Arthur está sentado e são os nobres que se apro-ximam dele para prestar-lhe homenagem, significando superioridade do rei Arthur em relação a eles. Enquanto Bohort aguarda, Ban beija o rosto do suserano em sinal de respeito e homenagem como parte do ritual de vas-salagem.
Podemos concluir que, conforme a imagem, as relações de vassalagem pressupunham alianças entre senhores feudais e dependência mútua entre eles. O vassalo, no entanto, só se tornava proprietário de um domínio com a doação feita pelo senhor. Desse modo, as alianças também definiam uma hierarquia superior do suserano em relação ao vassalo.
2 Ao doar um feudo, o suserano concedia ao vassalo autoridade sobre o domínio senhorial, o qual assu-mia todos os direitos políticos e econômicos sobre a nova propriedade. A partir desse momento, o vassalo submetia-se a um conjunto de obrigações para com o suserano. Caso o vassalo faltasse com seus com-promissos, contudo, o suserano tinha o direito de intervir em sua vida e na de seus dependentes. Vetar ou “arranjar” os casamentos das filhas e viúvas de um vassalo era um dos instrumentos utilizados pelo suserano para garantir o cumprimento das obrigações ou de evitar a instabilidade política. É interessante notar que o suserano conservava esse direito mesmo com a morte do vassalo.Suserano não é um termo medieval, tendo sido empre-gado somente na Idade Moderna; o nobre que doava o bem era designado somente por dominus, ou seja, “senhor”, a saber, aquele que tem um dominium, ou seja, a propriedade territorial. No entanto, o termo suseranofoi cristalizado pela tradição historiográfica de estudo do período, por isso optamos por utilizá-lo neste livro.
3 O bispo justificava a divisão da sociedade medieval como sendo obra de Deus. Cada camada social desem-penha o seu papel na manutenção na casa de Deus: os sacerdotes rezam, os nobres combatem e os campone-ses trabalham para garantir a sobrevivência de todos. Se essa divisão expressava a vontade de Deus, não se podia questioná-la. Dessa forma, a visão disseminada pela Igreja contribuía para enfraquecer movimentos de contestação da ordem social e para cristalizar as diferenciações que separavam as camadas privilegiadas das camadas subalternas. Se o indivíduo nasceu na condição de servo, ele deveria agir de acordo com as atribuições definidas pela obra de Deus. Agir de forma contrária significava contrariar a vontade divina.A organização em três ordens, estabelecida por Adalbe-rón de Laon, é apenas uma das representações sociais da sociedade medieval. Havia outras representações da sociedade, tais como a sustentada por Bernardo de Claraval (1090-1153), que dividia a sociedade em ordem dos laicos em ordem dos clérigos. Outras, também da mesma época, optavam por dividir a ordem dos clérigos em ordem do clero secular e ordem do clero regular.
4 Não. A frase “o trabalho enobrece o homem” contém a ideia de que a condição nobre de um homem é definida por meio de uma atividade social, mais especificamente por meio do trabalho. Todos os homens, em tese, esta-riam em condição de conquistar esse status. A nobreza de um homem, nesse sentido, não seria determinada por meio do nascimento nem por qualquer outro atribu-to individual, como características físicas ou intelectuais especiais.Já o texto atribui à nobreza a atividade militar e a res-ponsabilidade pela vida exemplar. Por sua natureza, mais especificamente por sua condição de nascimento, a nobreza também estava livre da servidão e de qualquer cobrança tributária. Tais características contrariam a visão de nobreza exposta na frase acima