O fim do marketingA empresa vende ao consumidor— com a web não é mais assim
Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps domarketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionammais. O paradigma era simples e unidirecional: asempresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos;fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemosanúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transformatodas essas atividades.(...)Os produtos agora são customizados em massa, envolvemserviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dosconsumidores. Por meio de comunidades online, os consumidoreshoje participam do desenvolvimento do produto. Produtosestão se tornando experiências. Estão mortas as velhasconcepções industriais na definição e marketing de produtos.(...)
Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado,os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez maisdesafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, àmedida que os consumidores ganham acesso a ferramentasque lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidoresvão oferecer vários preços por um produto, dependendode condições específicas. Compradores e vendedorestrocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados,e não as empresas, decidem sobre os preços de produtose serviços.(...)A empresa moderna compete em dois mundos: um físico(a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação(o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas nãodevem preocupar-se com a criação de um web site vistoso,mas sim de uma grande comunidade online e com o capitalde relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendidano espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é amarketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.(...)Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram“mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanhoúnico, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo.Os consumidores com frequência têm acesso a informaçõessobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São elesque controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhemo meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadaspor profissionais de relações públicas, eles criam a “opiniãopública” online. Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo,Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)
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